sexta-feira, 14 de maio de 2010

Rádio Raposa Responde


Nosso amigo Alex nos enviou um email muito interessante comentando em detalhes a batalha de quarta-feira passada contra o São Paulo. Como foi um jogo de extrema importância resolvemos responder esse email esmiuçando ainda mais todos os pormenores da partida.
Para ler o email do Alex baixe o arquivo AQUI

Com a palavra, Gustavo Campos:


O Cruzeiro realmente jogou uma boa partida. Não temos qualquer dúvida em relação a isso.
Apesar da derrota, o time conseguiu passar uma boa impressão. O time foi aguerrido e batalhou até o último instante.
O Cruzeiro jogou como time um grande que é. Foi um belo jogo. Não faltou garra.
Quem assistiu ao jogo de quarta-feira, sabe disso.
Faltou sorte. Sobrou vontade. Mas o futebol tem destas coisas. A torcida deve aceitar isso e ficar do lado do clube neste momento tão complicado.

Atuações individuais

O Marquinhos Paraná fez um bom jogo e vem numa ascendente. Aquela má fase parece coisa do passado.
Mas ele ainda pode render mais um pouco. Já vi atuações melhores.
A sua função varia um pouco. Depende da formação. Depende também de seu posicionamento.
Com a saída do Fabrício, acabou mesmo sobrecarregado.

A atuação do Gilberto é uma das mais controversas. Aliás, vem sendo durante todo o ano de 2010.
Eu não gostei de sua performance. Acredito que o seu posicionamento, somado, inclusive, ao número importante de passes errados, foi fator determinante para o seu baixo rendimento.
E ficamos, de fato, carentes de um jogador que trabalhasse mais pelo meio, como deve mesmo ser a função de um camisa 10.

Os nossos laterais não ficaram devendo. Mas graças às circunstâncias, pouco puderam contribuir ofensivamente.
O caso do Jonathan é o que merece mais atenção. Durante quase todo o jogo, foi sacrificado pelas descidas do lateral Júnior César, que fez muito bem o que lhe foi proposto: apoiar o ataque tricolor segurando, assim, o nosso lateral-direito.
Ponto para o Ricardo Gomes, que sabia muito bem desta forte característica celeste.
Diego Renan, por sua vez, correu o campo todo. Mas também teve problemas. No ataque, a tabelinha com Gilberto, que caia constantemente por alí, não saiu. Malditos passes errados! Defensivamente, ele foi o mesmo de sempre: confuso.

Fábio Santos, o ''Vida Louca'', saiu-se mesmo bem. Foi, até, além das expectativas de todos. Entrou numa fogueira, diga-se.
A torcida não esperava a sua entrada.

Quanto ao Róger, você resumiu muito bem. Mesmo sem contar com o mesmo ritmo dos demais, conseguiu dar uma nova cara ao time. Que como já foi dito, carecia de um meia com estas características.
Em seu lance mais agudo, faltou sorte. Foi por pouco. Um gol àquela altura do jogo, poderia ter feito toda a diferença.

O Guerrón é um caso à parte. Como você bem definiu, o cara parece ter esquecido lá no Equador o seu talento em fazer gols.
E cá entre nós, ele pouco ajuda com aquelas jogadinhas de linha de fundo. Ele não pode jogar num espaço tão reduzido.
Gosto de vê-lo caindo pelos dois lados. Caindo pelo lado esquerdo, tem também a chance de finalizar. Ele é destro, oras!

Defesa

A falta do Leonardo Silva foi muito sentida. Sem ele, o posicionamento não é o mesmo.
Mas uma coisa é inegável, estamos marcando em linha. E isso foi determinante no lance do primeiro gol do tricolor.
No segundo, prefiro dar mérito total ao Fernandão, que confundiu totalmente os nossos defensores com aquele passe de calcanhar. Não culpo o Jonathan e nem ninguém, afinal já vinhamos nos expondo, em busca do gol de empate.

Adilson Batista

Esse é alvo constante. E não seria depois de uma derrota tão dura quanto esta que o seu nome passaria em branco.
Não creio que a solução - ou parte dela - seria o 4 3 3 desde o início. Seria arriscar demais.
Em relação às mexidas do Adilson, tudo é muito relativo. Ele acaba sempre surpreendendo. Desta vez, não foi diferente.
Você disse muito bem, tem certas coisas que só vemos depois do término dos jogos, já com a cabeça mais fria.

Eu, particularmente, também não o considero um gênio, mas tento sempre entender as suas idéias.
À excessão da troca ''6 por 1/2 dúzia'' (feita na subistituição do Fabrício pelo Fábio Santos), as outras duas merecem alguma ressalva. Nada que mereça críticas, apenas algumas observações. Afinal de contas, as opções de qualquer treinador dependem muito da performance de cada atleta.
Mas o nosso lado corneta sempre entra em ação após uma derrota, não tem jeito mesmo.

Eu teria lançado o W. Paulista no jogo, e não o equatoriano Guerrón.
A cada lance, ficava mais nítida a falta de um jogador de área. O que, infelizmente, continuara a faltar.
Mesmo que só dando trombadas, creio eu seria esta a melhor opção. Quem sabe, até marcando gols???
A entrada do Róger foi tardia. Tendo em vista o comportamento do time após a sua entrada, fica difícil não pensar nisso.
A torcida, inclusive, já gritava o seu nome desde o começo da segunta etapa. Ele, porém, só entrou aos 33 minutos.
Por fim, o deslocamento do Gilberto para a lateral esquerda foi uma boa aposta.

Ricardo Gomes

É contestadíssimo. A torcida do São Paulo não confia em seu trabalho.
Também pudera, pois até então o tricolor paulista vinha mesmo devendo uma boa atuação. Vinha...
Mas fazer o quê, se o cara resolve acertar a mão logo agora, não é mesmo?! Mérito dele.
Mérito dos jogadores do time paulista também, que, de fato, mostraram muita competência na troca de passes.
Com rapidez e precisão, fomos envolvidos em muitos momentos. Foi assim que levamos o primeiro gol. Não achamos a marcação.
O posicionamento de alguns são paulinos também foi fator importante. Compactos e marcando forte a nossa saída de bola, dificultaram muito o nosso trabalho de criação.

Fernandão

Nem parecia que este se tratava de seu jogo de estreia. Não marcou, mas atraiu para si a marcação.
E como você bem disse, ele deu passes importantes. Dois deles, mortais para nós. Será um problema a mais para o próximo jogo.
A sua contratação não poderia ter sido concretizada em momento pior.

Derrota

Alex, tivemos esta mesma sensação. A maior parte da torcida também deve ter sentido o mesmo.
Este é o futebol, sempre nos resservando surpresas. Tanto boas quanto ruins.
E é com esta convicção que precisamos todos (torcida e clube) manter as esperanças acesas e renovadas.
Exemplos de superação temos aos montes. Comissão técnica e jogadores já buscam exemplos a seguir.
Que o imponderável mais uma vez entre em campo.
Agora tem que ser a nossa vez!

Próximo jogo

Tudo isso faz parte. Há quem entre em papo furado de imprensa, e também quem pense com a própria cabeça.
Mas independentemente de tudo o que se diga, não adianta nada imaginarmos mil e uma situações, porque este será um jogo diferente. Temos que jogar a partida de nossas vidas. Em resumo, é isso.

Há muito não passamos por uma situação semelhante a esta, e é isso o que nos deixa mais intrigados.
Você lembrou bem destes dois jogos. Foram dois jogos históricos que servem também de inspiração.
Se conseguirmos tamanha façanha na quarta-feira quem vem, não seria a primeira vez.

Temos competência. E que a sorte vire de lado.

3 comentários:

RÁDIO RAPOSA disse...

Valeu demais pelo email, Alex.
Esperamos mais participações assim.

Alexandre disse...

Gustavo, andei pensando, trocando idéia com os camaradas cruzeirenses e também depois de ler sua resposta já repensei o lance dos 3 atacantes.

Vendo o jogo do Inter por exemplo percebi como é importante não tomar gol em casa, e como valeu a pena para o Inter ser ofensivo mas não ser desesperado.

Lembrei também de Cruzeiro e Grêmio e Cruzeiro e São Paulo do ano passado. Nos dois jogos o resultado fora de casa seria suficiente para o Cruzeiro se classificar.

E também no ano passado o Estudiantes não fez seguer um gol em casa, mas com um gol apenas no mineirão já levaria o titulo.

Portanto o Cruzeiro poderia ter entrado com um esquema mais defensivo ou pelo mais precavido. Até um 0 x 0 ainda seria um resultado bom, pois para cada gol fora de casa que o Cruzeiro fizer o São Paulo teria que fazer dois para superar.

O único problema dessa estratégia é o estilo de jogo do Cruzeiro. O time tem declarada a vocação ofensiva e por isso inclusive tem o melhor ataque da competição. Ou seja, o Adilson teria que ter um bom controle sobre os atletas para conseguir que o time tivesse uma postura mais equilibrada. Outra coisa complicada nesse esquema é a torcida do Cruzeiro. Com o mineirão lotado e como a torcida sabe do potencial do time a pressão seria grande por gols e por um abafa no São Paulo.

No mais é isso. Esse jogo também já é passado e agora o foco é em um bom resultado no brasileiro em casa e em um bom jogo na quarta. Com a torcida de muita sorte e precisão na hora das finalizações acredito na vitória do Cruzeiro nas duas partidas.

Leônidas Cruzeirense disse...

Vamos classificar. É FATO!